Don't You Forget About Me

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Don't You Forget About Me

Mensagem por A Morte em Qua Jun 07, 2017 3:45 pm

Capítulo Três
Parte 1
Don't You Forget About Me

Passaram-se dois dias desde que a punição de Joker e Jack foram anunciadas, dois dias de descanso merecido. O Degolador Sombrio continuou navegando pelo mar sem qualquer pausa, o rio de almas se desfez em águas cinzentas e o céu negro foi substituído pelo antigo carmesim, anunciando que haviam finalmente deixado para trás o olho de Amon. A presença dos Ghouls que habitavam o barco tornou-se algo comum, até mesmo as bebedeiras e canções irritantes de pirata de Caronte. Quando finalmente enxergaram terra pela primeira vez o sol raiava sobre a cabeça deles, anunciando uma espécie de verão fora de hora. O clima do mundo tinha sido completamente alterado após a invasão de Lúcifer e em poucos dias haviam passado da neve para o sol.

- Estamos próximos agora – Disse Caronte. A embarcação seguia por um rio estreito, rodeado de praias. As semanas passadas tinham sido tempo o suficiente para que Asgard assimilasse seus novos poderes. Teve dificuldade em controlar sua força inicialmente, às vezes descontrolava-se, desacostumado com seus poderes, energia vazava pelas mãos como se seu corpo fosse pequeno demais para tanta energia. Morte não tinha se materializado em sua consciência, não tinha falado nada. Mas ele sabia o cavaleiro estava lá em algum lugar, silencioso.

Jack estava preso em uma das celas feitas para almas no fundo do Degolador. Cada dia que passava ele se tornava mais insano, às vezes berrava alto suficiente para que todos os mares escutassem, outros dias estava quieto tentando arrancar seus próprios membros, mas eles apenas continuavam a crescer mais uma vez, regenerando. Tentara se matar de mil formas diferentes mas a imortalidade não deixava que ele tivesse um fim. Até que ele se aquietou. No meio do caminho, um dia atrás, Caronte estacionou o Barco próximo ao local onde o exército de demônios marcharia, dispensando os cartas para fazerem sua missão, exceto Deuce que ficou com o tenente.

Esse que ainda estava se recuperando. Os ferimentos haviam começado a fechar e cicatrizar, retornando o corpo ao estado padrão, aparentemente, a criatura dentro de Joker estava ajudando para que a saúde do meio-demônio se estabilizasse, e ele já conseguia ficar de pé novamente, apesar de ainda ser incapaz de invocar suas magias com plena aptidão. Às vezes a noite ele podia ouvir a criatura chamando por seu nome, querendo sair.


Spoiler:


Myra também não encontrou paz. Seus sonhos eram todos perturbados por uma versão de si mesma. No pesadelo um reflexo da garota se erguia de um mar de sangue, contornada por caveiras, restos de guardiões, e então ela se sentava em um trono, feito de ossos e chamas.

E Quando acordava podia jurar que estava sendo observada. A sensação não a deixou em nenhum momento.

Blake teve tempo suficiente para descobrir como ajustar suas peças, juntar os pedaços mecânicos de si e se auto concertar. Era um sistema bem simples na verdade, e as informações pareciam fluir naturalmente para seu cérebro, como se fosse um simples encaixar de peças.


A trombeta soou, anunciando a ancoragem. Os ghouls sairam de seus buracos e começaram a agir, lançando as cordas para a terra e descendo a ponte. O grupo havia se preparado, até mesmo Joker que não estava totalmente recuperado estava ali, todos prontos para partir.

- Minha parte do acordo está cumprida – Anunciou Caronte, já preparando para levantar os pesos e partir. Conquista tomou a dianteira do grupo e avançou, afundando os pés nas areia da praia. Ele quase não falava, apenas se movia em direção ao seu único objetivo. Quando adentraram a floresta que se estendia à frente ele moveu a mão rapidamente e materializou a máscara, vestindo-a.

Tudo ali era diferente. Não era como Valiheim onde os bosques e florestas eram luminosos, arejados, onde grandes árvores espalhavam sombras sarapintadas por córregos azuis-claros que rumorejavam entre as margens, onde as aves cantavam em ninhos escondidos e o ar era perfumado pelo odor de flores.

Aquelas terras esquecidas tinham um tipo diferente de bosque. Era um lugar escuro e primordial, acres de floresta antiga, intocada ao longo de milhares de anos, enquanto montanhas se levantavam a toda sua volta. Cheirava a terra úmida e a decomposição. Ali não crescia flores, não nascia vida que não fosse retorcida, corrompida pela atmosfera do anjo caído. Aquele era um bosque de obstinadas árvores sentinelas, revestidas de agulhas cinza-esverdeadas, algumas afiadas o suficiente para pendurar alguém. Repleta de poderosos carvalhos, de árvores tão velhas quanto o próprio mundo. Ali, espessos troncos negros enroscavam-se uns aos outros, enquanto galhos retorcidos e mortos desenhavam uma espécie de cobertura e raízes deformadas batalhavam sob o solo. Aquele era um lugar de profundo silêncio e sombras meditativas, e aqueles que um dia passaram por ali não tinham mais vida, nem nome.

Asgard teve facilidade para guiá-los através das poças de lama de chuva recente, além de conhecer a floresta como ninguém ele podia ver as linhas de energia se estenderem no ar, elas surgiam cada vez mais ele se aproximava, dezenas transformavam-se em centenas, em milhares e bilhares de riscos brilhantes que convergiam para um único ponto na floresta.

Aemy e Thomas também podiam sentir. Não viam a energia de forma material como Asgard, mas algo dentro de si indicava o caminho, como se os puxassem em direção à toda aquela energia que emanava no ar. Estava impregnada nas árvores, nas roupas, até mesmo no vento. Energia para todos os lados, rodeando-os de uma forma anormal como se andassem dentro de um furacão mágico.

Antes que percebesse Castiel tomou o controle, involuntariamente. Aquela sensação queimando dentro de si havia o feito emergir. A atmosfera o fez sentir-se no paraíso novamente, era a mesma espécie de ar.

Myra sentia um peso em si, a pressão do ar parecia estar maior, mais forte. Os movimentos pareciam mais pesados, como se atravessassem uma atmosfera densa. Uma sensação que a dizia que não deveria estar ali. Deveria retornar para casa enquanto ainda era tempo. Blake e Joker também sentiam isso. Algo não os queria ali, os empurrava para fora.


Quando já estavam próximos o suficiente eles avistaram pequenas luzes de dentro da floresta. Sinais fracos que piscavam, distantes. Mais à frente estátuas de anjos começavam a aparecer, cobertas de musgo, rachadas e velhas, mas ainda sim elas se mostravam presentes, algumas ainda seguravam lamparinas que funcionavam de alguma forma.

Os guardiões se aproximaram cada vez mais até finalmente chegarem à origem das luzes azuis.

Um portão gigantesco fora escavado no pé de uma montanha, todo feito de uma espécie de aço que nenhum deles conseguiu reconhecer. Mais parecia uma grande placa de metal, sem qualquer buraco que tornasse possível ver o que estava à frente, na verdade, não havia qualquer sinal de fechadura ou algo assim, apesar de claramente ser uma porta. Mas assim que Aemy se aproximou ela começou a se erguer, lentamente, revelando o interior.

Enquanto o caminho se abria Conquista os lembrou – Aharon disse que era uma armadilha, fiquem atentos.

Uma névoa de um tom azul fantasmagórico deslizou para o lado de fora e todo o interior que antes era um breu começou a tomar vida. Luzes se acendiam por todos os lados revelando o enorme salão que fora erguido no interior.


A construção era enorme, feita por seres celestes, moldada em ouro, prata e metais inexistentes no plano terrestre. Havia uma espécie de altar no centro da sala, contornado por duas grandes asas douradas, o símbolo dos anjos. Mas o mais chamativo ali não era a construção, a magia que existia no local ou até mesmo o fato de estar praticamente intocada.

Eram os cadáveres. Centenas deles espalhados pelo chão, destruídos, separados ao meio, alguns presos ao teto, outros sem cabeça. Manchas de sangue pintavam as paredes douradas, cortes que atravessavam as armaduras de esqueletos. Mas não havia qualquer carne nos corpos, os ossos eram negros e dentro deles pilhas de cinzas estavam espalhadas, como se tivessem sido queimados até a morte, até a carne desintegrar.

Castiel sabia o que era aquilo.

A última fortaleza dos anjos na terra. A última esperança, o único ponto estratégico que havia restado, além disso, o altar era um provável portal. Sentiu sua cabeça doer lentamente, as memórias estavam para retornar a qualquer momento.

- Encontramos. Nós conseguimos – Conquista riu baixinho – Nós... Conseguimos.
Os restos angelicais espalhados pelo chão brilharam num suave dourado sagrado, emitindo auras de energia.

- A graça dos anjos. Essa é a arma... É isso que lhes permite matar os demônios – Conquista concluiu. Era a essência de uma alma celeste que eles haviam buscado o tempo todo, e bem ali na frente deles, centenas delas esquecidas pelo tempo. A chave para o fim da guerra.

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Re: Don't You Forget About Me

Mensagem por Phyress em Qua Jun 14, 2017 9:38 pm

Enquanto a viagem durava, Aemy passou a maior parte do tempo ao lado de Joker, cuidando dele até que ele se recuperasse por completo... Os gritos que ecoavam, especialmente quando aconteciam durante a noite e ela estava sozinha. Mas Biki sempre a confortava e durante aquela viagem os dois se comunicaram mais do que o habitual e algumas coisas acabaram sendo reveladas para a pequena.

E enfim, chegaram ao destino. Aemy saiu da embarcação ao lado de Joker e nessa mesma posição, eles seguiram. Os cenários por onde passaram não a surpreendia... Depois de ter andando por algum tempo sozinha por ai, já tinha aceitado que todo aquele mundo era feio e fedorento.

Instintivamente sabia para onde ir... Mas não disse nada, apenas seguindo os demais.
Quando finalmente estavam perto, Castiel emergiu, como se sua energia estivesse reagindo a algo. E ele tinha uma sensação nostálgica e confortável que há muito não sentia. E a partir dali, tomou a frente sem se importar com os demais.

Ficou satisfeito em ver que nada ali foi realmente tocado... Mas se perguntou como aquelas criaturas que morreram tentando alcançar a graça dos anjos conseguiram entrar ali, já que a porta era selada. Castiel se sentia incomodado em saber que seres asquerosos haviam conseguido sequer pisar naquele lugar... E se entristeceu ao descobrir o que eram as armas.

O rosto mudou de expressão, agora carregando um grande pesar.

- Não recomendo que os impuros se aproximem. – ele olha de relance para os demais, a voz mais rouca do que o habitual. Mas Castiel não se importava, podiam tentar e queimar até o chão, destruídos pela própria ganância. Uma morte perfeita para aqueles que se entregavam aos seus demônios apenas pelo prazer de se sentir mais poderoso.

Chegou a dar o primeiro passo para se aproximar, mas parou e levou a mão até a cabeça ao sentir aquela dor de novo... Que informação mais poderia haver esquecido? Parecia ter perdido tantas coisas durante sua queda.
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Re: Don't You Forget About Me

Mensagem por Aehoo Hoje à(s) 12:04 am

O tempo de dois dias de viagem foi ótimo para Thomas. O garoto conseguiu descansar bem e colocar a cabeça no lugar. As situações pela qual estava passando recentemente eram complicadas demais. Nunca pensara que teria de lidar com insubordinações dentro de seu próprio time. Confiava neles para tomarem conta até mesmo da sua vida, mas a ambição por poder destruir o mal que habitava a terra e a busca por mais poder para conseguir deter aquilo estava deixando algumas pessoas à beira do colapso.

Tudo isso lhe deixou exausto, então passou os dois dias praticamente dentro de sua cabine, pensando, refletindo e orando. Não sabia se Deus lhe escutaria, mas agora com a jornada tão perto de acabar, ele sentia que ao menos tinha que agradecer. E foi isso que fez.

Quando notou a mudança climática e principalmente a mudança na paisagem, percebeu que estava chegando ao seu destino e se juntou aos outros, se preparando para partir. Caronte, depois de algum tempo, aportou o barco e Conquista começou a liderar o grupo para dentro da ilha em questão. Thomas, contudo, logo que pisou ali, sentiu algo totalmente diferente. Sentiu um acolhimento e um poder tremendo, que acabou lhe guiando, independente de Conquista ou Asgard demonstrarem o caminho.

E cada passo mais perto, com cada indício angelical sendo revelado, deixando o seu coração palpitando. Sentia a presença de Aladiah mais forte, mais intensa, como se ele quisesse sair do seu corpo e estar presente naquele momento. Por fim, as portas encravadas na montanha se abriram e ansiedade de Thomas era gigantesca. O ambiente era lindo, mesmo que agora maculado por causa da guerra que se estendeu até mesmo naquele local sagrado. Não compreendia como os anjos tinham conseguido ser aniquilados. Deveriam ter sido superiores.

Também duvidava que tivessem lutado com príncipes. Afinal, se tivessem, estes saberiam onde as armas estavam. E então ocorreu que se tivessem lutado com qualquer demônio, eles saberiam onde armas estavam. Então, afinal, de contas, como todos aqueles anjos foram dizíamos? – Parem! – Disse, subitamente, contendo os ânimos. – Vasculhem o ambiente primeiro. Isso não está normal. Os anjos... Os celestes não podem ter caído para os demônios. – E então se virou para Castiel. – Tem algo de errado nisso.

E se virou para Myra e Joker. Trincou os dentes e esperava, do fundo do seu coração que a armadilha não fosse a essência daqueles dois num local sagrado. Sacou a espada e então saiu para vasculhar.
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Re: Don't You Forget About Me

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